Caifás, juiz sem Lei
Tuesday, 3 de May de 2005“Ora, os principais sacerdotes e todo o sinédrio buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem entregá-lo à morte; e não achavam, apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas. (…) Jesus, porém, guardava silêncio. E o sumo sacerdote disse- lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho do Deus. Respondeu-lhe Jesus: É como disseste; contudo vos digo que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que agora acabais de ouvir a sua blasfêmia. Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.” (Mateus 26:59-60a,63-65)
Esse é um trecho do julgamento do Senhor Jesus diante do sinédrio. Sabemos que o Senhor Jesus era justo, e foi julgado injustamente; mas porque o foi? Que injustiças podemos ver no seu julgamento? E qual a causa dessa injustiça?
A resposta é mais simples do que parece. Houve tanta injustiça não necessariamente porque os sacerdotes eram ímpios; não necessariamente porque fossem invejosos ou soberbos (ainda que fossem todas essas coisas). Houve injustiça porque solenemente ignoraram a palavra de Deus. Vejam os vários erros só neste pequeno trecho:
Falso testemunho:
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êxodo 20:16)
O rasgar das vestes do sumo sacerdote:
“Aquele que é sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção, e que foi consagrado para vestir as vestes sagradas, não descobrirá a cabeça nem rasgará a sua vestidura…” (Levítico 21:10)
A condenação à morte:
“…mas uma só testemunha não deporá contra alguém, para condená-lo à morte.” (Números 35:30b)
E Jesus… foi culpado em algo? Fica claro que não por guardar silêncio:
“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca.” (Isaías 53:7)
E nem por se declarar filho de Deus:
“Responderam-lhe os judeus: Não é por nenhuma obra boa que vamos apedrejar-te, mas por blasfêmia; e porque, sendo tu homem, te fazes Deus. Tornou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses? Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus? Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas se as faço, embora não me creiais a mim, crede nas obras; para que entendais e saibais que o Pai está em mim e eu no Pai.” (João 10:33-38)
O fato de que os sacerdotes da época ignoravam a palavra de Deus teve duas consequências. A primeira foi que pecaram contra a lei de Deus, e a segunda foi que não reconheceram no Senhor Jesus o Cristo de Deus - mas o teriam reconhecido se considerassem as Escrituras como deveriam, como Apolo reconheceu e testemunhou:
“Pois com grande poder refutava publicamente os judeus, demonstrando pelas escrituras que Jesus era o Cristo.” (Atos 18:28)
A palavra de Deus deve ser sempre nossa regra de fé e prática. Se não a considerarmos com o devido cuidado, podemos cair nos erros dos sacerdotes de então; sem a palavra de Deus, viva, em nós, estamos fadados ao erro. Se, no entanto, cultivarmos a palavra de Deus em nosso coração, ela dará frutos; e os frutos da palavra de Deus são as obras de Deus em nós e através de nós. Assim, façamos como o salmista:
“Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” (Salmos 119:11)