Eúde, o benjamita canhoto

Ontem por algum motivo resolvi dar uma lida no livro de Juízes. E percebi algo que não tinha visto ainda, em Juízes 3:15:

“Mas quando os filhos de Israel clamaram ao Senhor, o Senhor suscitou-lhes um libertador, Eúde, filho de Gêra, benjamita, homem canhoto. E, por seu intermédio, os filhos de Israel enviaram tributo a Eglom, rei de Moabe.”

É curioso o destaque dado ao fato de Eúde ser canhoto. Mas há coisas mais interessantes ainda nesse texto: primeiro, o fato de que canhoto no original hebraico significa “o que não tem a força no braço direito”; segundo, o fato de que Benjamim (nome da tribo da qual Eúde fazia parte, e do patriarca da tribo, o filho mais moço de Jacó ou Israel) significa “filho da minha destra”, ou “filho da minha direita”.

Temos então um homem em que se esperava encontrar força na destra, mas que não a tinha; não obstante, foi o segundo juiz, e libertador do povo de Israel do jugo de Moabe.

Isso é porque o tema principal do livro de Juízes se resume em dois versos:

“…Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos.” (Zacarias 4:6b)

“…apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros.” (Hebreus 11:34, grifo meu).

A questão é que em todos os juízes Deus demonstrou seu próprio poder, a despeito da fraqueza dos homens que usou para libertar a Israel. E isso, na verdade, não ocorre somente com os juízes, mas com todos aqueles que são escolhidos por Deus. Veja os versículos abaixo:

“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus.” (1 Coríntios 1:27-29)

“e Ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” (2 Coríntios 12:9-10)

“Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive contudo pelo poder de Deus. Pois nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus para convosco.” (2 Coríntios 13:4)

Reconhecermos nossa própria fraqueza é um passo fundamental para que o poder de Deus se revele em nós, como se revelou em Eúde, e em todos os homens e mulheres da história bíblica; e, como Paulo nos diz em 2 Coríntios 4:7, “temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte”. Soli Deo gloria! (a Deus somente a glória).

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